“Estromatólitos neoproterozoicos”. Palavras que muitos têm dificuldades em pronunciar, porém, cada vez mais presentes nas conversas cotidianas dos varzeanovenses. Se muitos ainda não sabem do que trata tais termos ao menos sabem que é algo importante, pois só assim se justifica as visitas frequentes de universitários de todo o país (UFRN, UFRJ, UFF, UFOP, UFBA, UNEB, e tantas outras) à Fazenda Arrecife, situada na zona rural de Várzea Nova.

Assim, considerando o relativo desconhecimento da população local quanto ao sítio geológico Fazenda Arrecife bem como seu potencial para o geoturismo e turismo científico, com o apoio da Secretaria Municipal de Educação e da Prefeitura de Várzea Nova, será realizada na sexta-feira, dia 17/06, às 19h00, uma palestra com o tema “Fazenda Arrecife – um sítio geológico de relevância internacional”, ministrada pela renomada professora doutora Katia Mansur, do instituto de geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro – URFJ.  Também estará presente o mentor da palestra, o geólogo Antônio José Dourado Rocha, diretor do Centro Integrado de Estudos Geológicos – CIEG (CPRM).

A Fazenda Arrecife possui importantes afloramentos desses estromatólitos, que são rochas sedimentares formadas por ação de cianobactérias (microrganismos fotossintetizantes) em mares rasos e quentes do passado, numa época em que a superfície terrestre era bem diferente dos dias atuais (suas rochas têm idade estimada em torno de 600 milhões de anos). O sítio tem relevância internacional por possuir belos e bem preservados afloramentos, com potencial de exploração científica e geoturística. 

Os estromatólitos são as mais antigas evidências de vida na Terra (os mais antigos, encontrados na Austrália, tem idade em torno de 3,5 bilhões de anos).  Eles são importantes, principalmente, porque representam uma época de grandes transformações no planeta: as cianobactérias que proliferaram naqueles mares foram responsáveis pela liberação de oxigênio na atmosfera e, consequentemente, pela formação da camada de ozônio. Em síntese, a vida como a conhecemos hoje só existe graças aos estromatólitos.

Então, se você gosta de conhecimento e natureza e de valorizar as potencialidades regionais, não poderá perder essa importante palestra.

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*Ericson Batista de Oliveira. Licenciado em Geografia pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB.

 

 

PARA SABER MAIS:

Fazenda Arrecife – SIGEP 061 [Narendra K. Srivastava e Antonio José Dourado Rocha] - http://sigep.cprm.gov.br/sitio061/sitio061.htm

TCC - O Sítio Geológico Fazenda Arrecife: Potencial para Promoção da Educação Patrimonial no Município de Várzea Nova – BA [Ericson Batista de Oliveira] - http://bit.ly/FazArrecife

Várzea Nova – Estromatólitos neoproterozoicos da Fazenda Arrecife [Ericson Batista de Oliveira] - https://www.achetudoeregiao.com.br/ba/varzea_nova/fazenda_arrecife.htm

Geoparque Morro do Chapéu (BA) – Proposta [Antônio José Dourado Rocha e Augusto J. Pedreira] - http://www.cprm.gov.br/publique/media/morrodochapeu.pdf

 Foto: Divulgação

 

Cultura do Sisal: símbolo da economia varzeanovense

Nossa querida Várzea Nova eis que se aproxima o seu trigésimo aniversário de emancipação política 25/02/2015. Uma cidade hospitaleira de gente humilde mas que trazem em sua essência uma imensa vontade de vencer na vida como todo povo lutador. Parabéns aos varzeanovenses que diante de tantas dificuldades conseguem superar seus obstáculos com dignidade.

Mas notamos que durante esses 30 anos de vida política muita coisa poderia ter sido feita nos colocando numa posição bem melhor. Hoje nos deparamos com uma situação retrógrada e de lastimável dó. A cidade se vê num status de angariar fundos e investimentos para determinados grupos que foram e são ate hoje os detentores do poder ao longo destes anos. A cidade também conhecida como cidade do sisal e não encontramos absolutamente nada para melhorar a qualidade de vida deste povo que viveram e vivem desta cultura do agave a não ser como explorados dos grandes produtores sisaleiros que enriqueceram as custas dos trabalhadores de motor como são chamados.

E a saúde? Existe uma unidade de saúde administrada por uma entidade filantrópica que só regride pois sua visão principal não é a qualidade na prestação dos serviços para a coletividade, mas os fins próprios e individuais. Unidades de Saude públicas que funcionam precariamente, onde faltam os materiais básicos para o princípio de um bom atendimento entre outros serviços que se tornaram inexistentes.

Educação de péssima qualidade, que não cumprem sequer os dias letivos exigidos pelo MEC. Com raras exceções mas funciona na base de professores fingindo que ensinam e alunos fingindo que aprendem.

E o lazer, a cultura?

Não existem políticas públicas voltadas para atender as mazelas sociais que destroem nossa sociedade. São jovens e adolescentes destruídos pelas drogas, prostituição, alcool e outros tipos de violência, infelizmente nada se faz no intuito de combater e inibir tais tipos de marginalidade. E então eu ouço perdeu-se o controle da situação. Sim concordo perfeitamente, mas e aí? Vamos cruzar os braços diante desta tamanha vulnerabilidade social? As famílias desestruturadas perderam o controle. Ai entra a ação da gestão pública. E cadê? Falta vontade, interesse, compromisso e responsabilidade com o bem comum. A cada dia cresce desenfreado o número de jovens que são destruídos e marginalizados, e de um modo particular na nossa cidade e nada absolutamente se faz para reverter esse cenário triste. Há de ter uma saída. Difícil mesmo é encontrar uma solução quando cruza os braços e se cala ficando omisso a tantos absurdos se tornando cúmplices e conivente com os fatos. A gestão pública é responsável para criar mecanismos e meios de amenizar estas questões sociais. E os Conselhos de direitos onde estão? Que deixam de exercer suas funções como representantes de todos os seguimentos da sociedade para servir aos ditos do gestor? Nossa Várzea Nova está entregue as traças, abandonada ao próprio léu, porque virou a sustentação da ostentação de alguns.

Vamos repensar nossas atitudes e refletir sobre tudo que poderíamos ter e o quanto deixamos de crescer e desenvolver porque durante 30 anos fomos tomados e apoderados por sanguessugas meros aproveitadores que visam seus interesses. Nós precisamos reagir, Várzea Nova está estagnada e urgentemente precisamos retomar o rumo do crescimento e desenvolvimento. Que futuro queremos para os nossos filhos? Que os mesmos se dispersam mundo afora indo servir e morar em terras alheias. E o que será daqueles que por tantas razões não poderão sair daqui? Não podemos refazer um novo começo, mas poderemos pensar num outro fim.

Um abraço a todos os conterrâneos e vem aí um 25 de fevereiro sem muito o que ter para comemorar.

Marta Carneiro de Souza Oliveira, funcionária pública, Assistente Social e Presidente do SISMUVAN.

Por Zailton Silvestre 

Tarde esplendorosa de sol do dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Merecedoras de todas as homenagens, em Várzea |Nova, elas foram presenteadas com uma bela e animada “puxada”, muito bem organizada, desfilando simpatias pelas ruas da cidade, comandada por “paredões de som”, promovida pela comissão organizadora como avant-première da tradicional “Festa da Mulher” que este ano, na terra do Sisal, está em sua 15ª edição.

Com concentração marcada para a Praça Gilberto Miranda, desde as 14:00 horas as ruas que lhe davam acesso se transformaram em passarelas  com desfiles de beldades a fazer jus à fama da Princesinha do Sisal de deter o título de cidade com a mulherada mais bonita da Bahia.

O desfile proporcionou um visual espetacular, com exibições de silhuetas femininas de causar inveja a qualquer balneário famoso do Brasil, quiçá do mundo.

Shows de bustos esculpidos, seios protuberantes, barrigas-tanquinhos, bumbuns empinados, pernas torneadas, enfim, um deleite para quem, como eu e minha turma de amigos frequentadores do Bar do Tonho, estávamos acostumados às enfadonhas tardes de domingos (aqui cabe um registro e um elogio às múltiplas academias que invadiram a cidade).

Diante do vai-e-vem que agitou a cidade, e dos suspiros e zum-zum-zuns que rolou entre nós, resolvemos criar uma “comissão julgadora informal”, com o objetivo de “elegermos” a “musa da puxada”, missão espinhosa, desafiadora a requerer olhares atentos.

Deixando de lado o fato de que da “puxada” também participavam alguns marmanjos, cuja citação só vem ao caso por conta de uma meia dúzia com trejeitos mais acentuados – nada contra -, o certo é que a mulherada estava toda-toda. Arranjos de flores nos cabelos, óculos de sol suavizando as feições, batons emoldurando lábios carnudos, shorts e camisetas customizadas no limite do pecado, celulares em ponto de selfs, sandálias e sapatilhas saltitantes como a querer chegar na festa antes dos donos, e a cerveja rolando solta abrandando aquele calorão.

Após a passagem da puxada por nosso observatório, passadas emoções e recobrados os sentidos, passamos a recolher os guardanapos em que fizemos as anotações e observações com o propósito de chegarmos ao denominador para o qual a comissão foi formada. Aí é que se deu o busílis...

Uma morena graciosa, corpo escultural, tamanho universal, curvas geométricas, cabelos soltos ao vento, sorriso largo, olhar 43, gingado perfeito, meio Afrodite meio Marta Rocha... Ah!, sim, Marta Rocha, você se lembra, né?  As duas polegadas...

Pois é. A nossa morena, para quem a faixa dourada já estava praticamente reservada, foi desclassificada por um detalhe inusitado. Vejam bem, em toda aquela multidão, formada por crianças, adolescentes, jovens, adultos, titias e vovós, apenas ela, a nossa Marta Rocha, estava de... calça comprida.  Ahhh!

Em meu voto cheguei a advogar em sua defesa que talvez fosse um contrato de publicidade com alguma marca de jeans, mais não houve jeito. A unanimidade, o ouro da faixa ficou para outra deusa participante que, por ironia do destino, não pode ter seus atributos pessoais descritos aqui, em função de seu status quo e do doentio ciúme de seu companheiro.

Entre nós julgadores, a cumplicidade de guardarmos a sete chaves os mistérios da puxada.

Zailton  Silvestre de Oliveira  é Administrador  e Chefe de Gabinete da Prefeitura de Várzea Nova