Por Zailton Silvestre 

Tarde esplendorosa de sol do dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Merecedoras de todas as homenagens, em Várzea |Nova, elas foram presenteadas com uma bela e animada “puxada”, muito bem organizada, desfilando simpatias pelas ruas da cidade, comandada por “paredões de som”, promovida pela comissão organizadora como avant-première da tradicional “Festa da Mulher” que este ano, na terra do Sisal, está em sua 15ª edição.

Com concentração marcada para a Praça Gilberto Miranda, desde as 14:00 horas as ruas que lhe davam acesso se transformaram em passarelas  com desfiles de beldades a fazer jus à fama da Princesinha do Sisal de deter o título de cidade com a mulherada mais bonita da Bahia.

O desfile proporcionou um visual espetacular, com exibições de silhuetas femininas de causar inveja a qualquer balneário famoso do Brasil, quiçá do mundo.

Shows de bustos esculpidos, seios protuberantes, barrigas-tanquinhos, bumbuns empinados, pernas torneadas, enfim, um deleite para quem, como eu e minha turma de amigos frequentadores do Bar do Tonho, estávamos acostumados às enfadonhas tardes de domingos (aqui cabe um registro e um elogio às múltiplas academias que invadiram a cidade).

Diante do vai-e-vem que agitou a cidade, e dos suspiros e zum-zum-zuns que rolou entre nós, resolvemos criar uma “comissão julgadora informal”, com o objetivo de “elegermos” a “musa da puxada”, missão espinhosa, desafiadora a requerer olhares atentos.

Deixando de lado o fato de que da “puxada” também participavam alguns marmanjos, cuja citação só vem ao caso por conta de uma meia dúzia com trejeitos mais acentuados – nada contra -, o certo é que a mulherada estava toda-toda. Arranjos de flores nos cabelos, óculos de sol suavizando as feições, batons emoldurando lábios carnudos, shorts e camisetas customizadas no limite do pecado, celulares em ponto de selfs, sandálias e sapatilhas saltitantes como a querer chegar na festa antes dos donos, e a cerveja rolando solta abrandando aquele calorão.

Após a passagem da puxada por nosso observatório, passadas emoções e recobrados os sentidos, passamos a recolher os guardanapos em que fizemos as anotações e observações com o propósito de chegarmos ao denominador para o qual a comissão foi formada. Aí é que se deu o busílis...

Uma morena graciosa, corpo escultural, tamanho universal, curvas geométricas, cabelos soltos ao vento, sorriso largo, olhar 43, gingado perfeito, meio Afrodite meio Marta Rocha... Ah!, sim, Marta Rocha, você se lembra, né?  As duas polegadas...

Pois é. A nossa morena, para quem a faixa dourada já estava praticamente reservada, foi desclassificada por um detalhe inusitado. Vejam bem, em toda aquela multidão, formada por crianças, adolescentes, jovens, adultos, titias e vovós, apenas ela, a nossa Marta Rocha, estava de... calça comprida.  Ahhh!

Em meu voto cheguei a advogar em sua defesa que talvez fosse um contrato de publicidade com alguma marca de jeans, mais não houve jeito. A unanimidade, o ouro da faixa ficou para outra deusa participante que, por ironia do destino, não pode ter seus atributos pessoais descritos aqui, em função de seu status quo e do doentio ciúme de seu companheiro.

Entre nós julgadores, a cumplicidade de guardarmos a sete chaves os mistérios da puxada.

Zailton  Silvestre de Oliveira  é cidadão varzeanovense